Recebeu um pagamento de outra pessoa física, um cliente lá fora ou o aluguel de um inquilino e não teve imposto descontado na hora? Então provavelmente o Carnê-Leão bate à sua porta. Ele costuma pegar autônomos e profissionais de surpresa, porque não é aquele imposto que "já vem descontado" — é você quem precisa calcular e recolher, mês a mês. Entender como funciona evita multa e, muitas vezes, mostra que existe um caminho mais leve pela frente.
O que é o Carnê-Leão
O Carnê-Leão é o recolhimento mensal e obrigatório do Imposto de Renda sobre rendimentos que a pessoa física recebe sem retenção na fonte. Como não houve desconto automático, a Receita transfere a responsabilidade para quem recebe: você apura o quanto ganhou no mês, aplica a tabela progressiva e paga via DARF até o último dia útil do mês seguinte.
Quem precisa pagar
O Carnê-Leão alcança principalmente quem recebe de fontes que não descontam imposto:
- Autônomos e profissionais liberais que atendem pessoas físicas — dentistas, terapeutas, professores particulares, consultores, prestadores em geral.
- Rendimentos recebidos do exterior, como clientes internacionais ou trabalho remoto para empresas de fora.
- Aluguéis recebidos de pessoa física.
- Pensão alimentícia e outros rendimentos sem fonte pagadora que retenha o imposto.
Repare no fio condutor: sempre que o pagador é uma pessoa física ou está no exterior, ninguém desconta o imposto por você — e aí entra o Carnê-Leão.
Quanto se paga: as alíquotas
O cálculo usa a tabela progressiva mensal do IRPF, a mesma dos salários. Há uma faixa de isenção inicial e, a partir dela, alíquotas que sobem por degraus até o teto de 27,5%. Você ainda pode deduzir despesas ligadas à atividade quando escrituradas no livro-caixa (como aluguel do consultório e salários de auxiliares), o que reduz a base.
Um exemplo ajuda a sentir o peso. Imagine uma profissional que fatura, sozinha, cerca de R$ 15.000 por mês atendendo pessoas físicas. Boa parte desse valor cai na última faixa e é tributada em 27,5%. No fim do ano, ela terá recolhido milhares de reais só de IRPF — sem contar que esse dinheiro sai do bolso todo mês.






