Sair do CLT para PJ? Aprenda a somar FGTS, 13º, férias e INSS para calcular quanto pedir como PJ e não sair no prejuízo, com exemplo numérico real.
Recebeu uma proposta para trocar a carteira assinada por um contrato PJ e travou na hora de responder "quanto você quer ganhar"? Calma, você não está sozinho. O erro mais comum de quem sai do CLT para o PJ é pedir o mesmo valor do salário — e descobrir tarde demais que perdeu dinheiro. Neste artigo, você vai aprender a somar tudo que o CLT esconde e a montar um valor PJ que realmente compense.
O salário CLT vale mais do que o número na carteira
O salário que aparece no contracheque é só uma parte do que o CLT custa para a empresa e do que ele entrega para você. Existem benefícios e reservas que somem quando você vira PJ e precisam entrar na conta:
- FGTS: 8% do salário depositados todo mês;
- 13º salário: um salário extra por ano (equivale a ~8,33% ao mês);
- Férias + 1/3: 30 dias pagos com adicional de um terço (~11,11% ao mês);
- INSS pago pela empresa: a parte patronal da Previdência;
- Outros benefícios: vale-refeição, plano de saúde, vale-transporte, dependendo do contrato.
Quando você é PJ, nada disso cai automaticamente. Ou você negocia um valor que cubra essas perdas, ou está financiando a economia da empresa com o seu bolso.
Montando o valor equivalente
A lógica é simples: pegue o custo real que você tem hoje como CLT e traga para o valor PJ, considerando que agora é você quem paga imposto, contador e reserva seus próprios direitos. Uma forma prática de estimar:
- Some ao salário os encargos que você perde (FGTS, 13º, férias, benefícios);
- Acrescente o que vai gastar como PJ (imposto do Simples, INSS sobre pró-labore, honorário do contador);
- Reserve uma margem para os meses sem trabalho, já que PJ não tem estabilidade nem aviso prévio.
Imagine um salário CLT de R$ 5.000. Somando os encargos que você deixa de receber:
- FGTS (8%): R$ 400;
- 13º proporcional (~8,33%): R$ 417;
- Férias + 1/3 (~11,11%): R$ 556.
Só aí já são cerca de R$ 1.373 por mês em direitos que somem. Isso significa que um valor PJ equivalente parte de aproximadamente R$ 6.373 — e ainda falta cobrir imposto, contador e a sua reserva de segurança. Por isso, é comum que o valor PJ justo fique entre 25% e 40% acima do salário CLT, dependendo do regime e dos benefícios em jogo. Para ver o número exato do seu caso, use a calculadora PJ x CLT e, se quiser conferir quanto sobra líquido no cenário CLT, a calculadora de salário líquido ajuda na comparação.
O que negociar além do valor
Dinheiro não é tudo. Ao fechar um contrato PJ, vale colocar na mesa:
- Reajuste anual para não corroer o valor com a inflação;
- Aviso prévio ou multa em caso de encerramento, dando previsibilidade;
- Reembolso de despesas (equipamentos, deslocamento, ferramentas);
- Manutenção de benefícios como plano de saúde, quando possível;
- Prazo de pagamento claro para as notas emitidas.
Negociar esses pontos evita surpresas e mostra que você entende do assunto — o que costuma fortalecer a sua posição.
Ganhar mais no papel não significa ganhar mais no fim do mês se você não reservar para impostos, férias e imprevistos. A dica é tratar o PJ como um pequeno negócio: separe uma parte de cada recebimento para as guias e outra para a sua "poupança de direitos". Assim, você aproveita as vantagens sem sustos.
Quer descobrir exatamente quanto pedir para não sair perdendo? A Nauta faz a conta com você e ajuda no planejamento tributário para você escolher o regime mais econômico. Fale com um especialista antes de assinar qualquer proposta.
Conteúdo informativo; consulte a Nauta para o seu caso.